A manhã de sábado estava reservada para ele, o Fusca.
Acordei cedo e saí sem tomar café. Antes das 8h já estava na garagem pronto pra levar o carrinho para trocar os sapatos. Finalmente chegaram os pneus novos.
Bate papo rápido com “Seu Cláudio”, o dono do estacionamento. Peguei com ele minha bateria nova, coloquei no bichinho e fui dar partida. Virei a chave até acenderem as luzes do painel, aguardei uns 5 segundos e bati o arranque.
Ele gemeu algo como do tipo “glengue, glengue, glengue”, e nada. Não virou. Repeti o ritual: liguei a elétrica, aguardei uns poucos segundos e virei a chave até o final. Nada!
Saí do carro, abri o motor – não entendo nada de mecânica, mas pareceu algo importante a ser feito – mexi nas mangueiras, dei um peteleco com o dedo indicador no filtro de combustível, dei dois passos para trás, cruzei os braços e fiquei olhando, esperando que alguma ideia aparecesse e fizesse o milagre do conhecimento mecânico baixar no meu corpo. Não deu certo.
Entrei no carro e repeti o refrão “vira a chave, liga elétrica, espera alguns segundos, gira tudo até o fim”. Foi inútil. O 72 não queria papo comigo.
Confesso que fiquei desolado. Para minha sorte “Seu Claudio”, acompanhado de “Seu Manoel” (o guarda do estacionamento) vieram dar seu apoio moral e pitacos mecânicos para me ajudar com o carrinho.
Enquanto um olhava se a bateria estava devidamente colocada, o segundo foi dar uma olhada no motor. Em menos de dois minutos eu tinha um diagnóstico abalizado – Seu Manoel foi taxista por mais de 20 anos, sempre dirigindo Fuscas – e sentenciou que o problema era óbvio: “Tá sem gasolina, cara. Tem que dar um traguinho pra ele”.
Lá fui eu comprar gasolina, apesar de ter certeza que o tanque estava com pelo menos uns R$ 30,00, que eu coloquei para trazer o carro de Novo Hamburgo até Porto Alegre.
Meia hora depois, com a gasolina comprada, colocada no tanque e mais ou menos um meio litro devidamente derramado diretamente no carburador, o carro já tinha tudo para funcionar.
Neste meio tempo, entre a minha ida e volta ao posto de gasolina, juntaram mais dois para dar opinião e diagnosticar o problema do Fusca. Todos foram unânimes: Sem gasolina, não funciona.
Tudo pronto, vamos lá. Fiz menção de sentar dentro do carro para virar a chave, mas
desta vez fui colocado de lado por Se Manoel. Eu era o único ao redor do carro cuja experiência era zero em relação aos Fuscas. Olhei de longe um cara sentar e tentar ligar, enquanto outro fazia uma espécie de massagem cardíaca no buraco onde antes havia um carburador.
A resposta do 72 foi clara: “glengue, glengue, glengue”. Todos se entreolharam e me chamaram para perto. Esperava que alguém naquele momento fosse dar a pior das notícias, dizendo que não tinha jeito e o carro era um caso perdido. Não foi o que aconteceu. Aparentemente as pessoas são otimistas com os Fuscas. Há amor entre homens e Fuscas, isso é inegável.
Foi então que o dono de um Tempra SW, que também está sendo reformado, deu uma de Gregory House e apontou o mais óbvio dos problemas, até mesmo para mim. “O problema está no platinado”! Todos concordaram, até mesmo eu.
Em menos de 30 segundos Seu Cláudio apareceu com uma caixa de ferramentas e o cara do Tempra já estava ajoelhado atrás do carro, arrancando as peças e lixando-as com uma chave de fenda.
Tarefa cumprida, lá foram eles novamente me afastando do paciente e tentando ressuscitá-lo. Foi em vão. Não funcionou.
Duas horas e meia de tratamento intensivo e nada do carrinho nos brindar com o belo canto de canário do seu motorzinho 1300.
Semana que vem ele receberá a visita de um mecânico. Até lá, ficamos por aqui, sonhando com o primeiro passeio por Porto Alegre. Nem que seja da garagem até a borracharia trocar os pneus.
* Na foto temos um platinado.
Confesso que fiquei desolado. Para minha sorte “Seu Claudio”, acompanhado de “Seu Manoel” (o guarda do estacionamento) vieram dar seu apoio moral e pitacos mecânicos para me ajudar com o carrinho.
Enquanto um olhava se a bateria estava devidamente colocada, o segundo foi dar uma olhada no motor. Em menos de dois minutos eu tinha um diagnóstico abalizado – Seu Manoel foi taxista por mais de 20 anos, sempre dirigindo Fuscas – e sentenciou que o problema era óbvio: “Tá sem gasolina, cara. Tem que dar um traguinho pra ele”.
Lá fui eu comprar gasolina, apesar de ter certeza que o tanque estava com pelo menos uns R$ 30,00, que eu coloquei para trazer o carro de Novo Hamburgo até Porto Alegre.
Meia hora depois, com a gasolina comprada, colocada no tanque e mais ou menos um meio litro devidamente derramado diretamente no carburador, o carro já tinha tudo para funcionar.
Neste meio tempo, entre a minha ida e volta ao posto de gasolina, juntaram mais dois para dar opinião e diagnosticar o problema do Fusca. Todos foram unânimes: Sem gasolina, não funciona.
Tudo pronto, vamos lá. Fiz menção de sentar dentro do carro para virar a chave, mas
desta vez fui colocado de lado por Se Manoel. Eu era o único ao redor do carro cuja experiência era zero em relação aos Fuscas. Olhei de longe um cara sentar e tentar ligar, enquanto outro fazia uma espécie de massagem cardíaca no buraco onde antes havia um carburador.
A resposta do 72 foi clara: “glengue, glengue, glengue”. Todos se entreolharam e me chamaram para perto. Esperava que alguém naquele momento fosse dar a pior das notícias, dizendo que não tinha jeito e o carro era um caso perdido. Não foi o que aconteceu. Aparentemente as pessoas são otimistas com os Fuscas. Há amor entre homens e Fuscas, isso é inegável.
Foi então que o dono de um Tempra SW, que também está sendo reformado, deu uma de Gregory House e apontou o mais óbvio dos problemas, até mesmo para mim. “O problema está no platinado”! Todos concordaram, até mesmo eu.
Em menos de 30 segundos Seu Cláudio apareceu com uma caixa de ferramentas e o cara do Tempra já estava ajoelhado atrás do carro, arrancando as peças e lixando-as com uma chave de fenda.
Tarefa cumprida, lá foram eles novamente me afastando do paciente e tentando ressuscitá-lo. Foi em vão. Não funcionou.
Duas horas e meia de tratamento intensivo e nada do carrinho nos brindar com o belo canto de canário do seu motorzinho 1300.
Semana que vem ele receberá a visita de um mecânico. Até lá, ficamos por aqui, sonhando com o primeiro passeio por Porto Alegre. Nem que seja da garagem até a borracharia trocar os pneus.
* Na foto temos um platinado.















